Wednesday, January 11, 2006

O filme é bonitinho, mas não para falar de Oscar

Normal que “2 Filhos de Francisco” tivesse a maior bilheteria da história do cinema no Brasil. Esse assunto é tão complicado quanto a religião e o futebol. Quando digo que não gosto deste filme e renego sua indicação para o Oscar logo sou chamado de “baba ovo estado unidense” e anti-patriota, mas é uma injúria, pois sou ávido pelo sucesso do cinema no Brasil e sustento que o filme em questão não tem fibra para me representar.
Vi o filme sim, achei tocante, chorei e tudo, mas é isso só, deu!!! Isso se passou com outros filmes que assisti (bonitinho, parabéns, ok, mas vamos continuar trabalhando para melhorar), mas o que vejo agora, é que um mundo sem fim de gente que não tem postura crítica sobre o cinema passou gritar em praça pública que o filme é o melhor filme do mundo, o universo de comparação é, somente, a seleção de filmes exibidos em Tela Quente e Sessão da Tarde, quando muito, alguns desses “apaixonados” pelo cinema nacional vão às salas de exibição sim, mas assistem às “cine-novelas” produzidas pela Globo Filmes, uma mera extensão da emissora de sinal público.
Pessoas que jamais assistiram ao Oscar, que não sabem com quem estão concorrendo, nem sabem exatamente o que significa ganhar um Oscar, pintam faixas e gritam pelas ruas. São os mesmos fãs da dupla, aqueles que aclamavam a obra deles, agora se apaixonaram pela vida também.
Ora, fico no meu canto quando não expresso minha desavença sobre o estilo musical que baseou o filme, quando respeito tal manifestação como uma vertente da grande e complexa cultura popular nacional. Posso respeitar guardando sempre as devidas proporções, mas não me deixo corromper a opinião por algum tipo de fanatismo e não me sinto obrigado a me comover pela história contada no filme e esquecer o cinema nacional não se resume a isso.
E depois vem a ala nacionalista, que critica tanto Hollywood, mas implora pelo prêmio “yankee”. Acho realmente interessante ganhar o Oscar, mas se os filmes de Fábio Barreto, Fernando Meirelles e Valter Salles não ganharam, não vejo porque o de Breno Silveira ganharia. Neste ano estou torcendo para que Meirelles ganhe como diretor e tão somente.
O nacionalismo caudaloso faz mal, mas não de deve confundir não ser nacionalista com sendo uma manifestação de amor incondicional de Los Angeles e só, na verdade, os fãs de “Dois Filhos de Francisco” deveriam se lembrar que o filme, se for indicado, concorre a um prêmio dado pela academia, mas disputa com filmes não americanos, eu também me esqueço disso às vezes. Logo, podemos até torcer por ele, mas é justo saber que o provincianismo nos faz esquecer que existem 58 colegas no mundo qualificados para o mesmo prêmio.
Oh meu D’us, agora vão dizer que sou pessimista. Não, não é bem isso, é que ainda acho que nosso amadorismo está nos deixa bem distantes de obras-primas espalhadas pelo mundo. Já provamos que temos “recursos humanos” de sobra, mas temos que “arrumar a casa”. Enquanto isso, vamos torcer com mais consciência. Se a indicação nacional ganhar, vou ficar bastante surpreso no que diz respeito às participações do Brasil na festa. Mesmo assim, se é o que tem para o momento, tomara que ganhe.